É inegável que o que distingue o ser humano dos seus pares é a sua forma de pensar, sentir e perceber a realidade. É a nossa forma de nos relacionarmos com o ambiente que nos diferencia, e a forma como uma pessoa reage aos estímulos é uma definição geral do que é considerado personalidade.
É por isso que vemos que a reação a um determinado estímulo varia de um indivíduo para outro. Algumas pessoas ficam paralisadas de medo, outras choram e algumas reagem de forma eficaz e rápida. Por que reagimos de maneira diferente à mesma situação?
Esta questão ocupou a mente de grandes pensadores, que tentaram descobrir a raiz desta diferença. O que causa isso? E por causa deles, múltiplas teorias da personalidade foram desenvolvidas.
Estudo teórico da personalidade
Muitos autores estabeleceram o agente causal das variações de personalidade como diferenças individuais, que são definidos como o resultado do contexto social, familiar, histórico e ambiental que envolve o desenvolvimento da pessoa e que determina sua interação e reação a diferentes estímulos.
As interações humanas são um processo fundamental em muitos aspectos que envolvem a ordem e a criação de diversos sistemas no ambiente cotidiano da sociedade, razão pela qual grandes expoentes do ramo psiquiátrico e psicológico, como Freud, Maslow e Jung, deram especial atenção à atenção aos fatores que determinam o desenvolvimento do ser humano, nos quais basearam diversas teorias da personalidade. O campo da psicologia que estuda esta área vai desde uma simples busca empírica das diferenças entre os seres humanos até uma investigação filosófica que busca responder ao sentido da vida.
Muitas teorias iniciam seus estudos a partir da definição da influência nas reações socioafetivas que determinaram o desenvolvimento e a evolução de um indivíduo.; ao contexto histórico e ambiental, que expôs o indivíduo a determinados acontecimentos que poderiam impulsioná-lo a gerar determinados traços característicos de sua personalidade. A constituição genética é dita nas novas tendências como limitadora da nossa aprendizagem, uma vez que se assume que os genes, na sua qualidade de estrutura que transmite informação, actuam como vectores, através dos quais os nossos antepassados herdaram parte da aprendizagem que desenvolveram no seu contexto. .
Como se vê, trata-se de um campo extenso e que, em alguns aspectos, goza de imprecisão em seus critérios, pela falta de instrumentos e métodos que determinem parâmetros absolutos, o que torna a subjetividade uma característica presente, em maior ou menor medida. , em estudos psicológicos. No entanto, os métodos de observação e verificação de postulados por meio de métodos de tentativa e erro têm permitido a construção de teorias generalizadas, que se considera fornecerem respostas a questões sobre o tema da personalidade.
Aspectos que influenciam o postulado das teorias da personalidade

O desenvolvimento de uma teoria no campo da psicologia da personalidade é uma tarefa delicada, portanto o cientista, na sua qualidade de entidade avaliadora, deve procurar manter a imparcialidade de julgamento, evitando erros, ou incorrer no desenvolvimento de um postulado não conforme com o fenômeno avaliado. O desenvolvimento de uma hipótese fracassada representa uma perda de prestígio para o psicólogo que a propõe e, além disso, contribui para gerar um estado de caos e confusão no ambiente em que é proposta.
No desenvolvimento das teorias da personalidade, foram identificados três fatores que condicionam o julgamento imparcial do indivíduo que realiza o estudo:
- Dogmatismo: Está intimamente ligado ao conceito de arquétipo, uma vez que o ser humano se apega aos conceitos que funcionaram em tempos passados. Portanto, ao estudar como os seres humanos se desenvolvem no seu ambiente, a nossa natureza dogmática pode procurar colocar julgamentos passados como justificação para os acontecimentos observados. Isto limita a veracidade do estudo e nos sujeita ao risco de sermos guiados por dogmas ultrapassados.
- Egocentrismo: Aqui estão incluídos os fatores característicos da personalidade individual (experiências, fatores genéticos e fisiológicos e história familiar), uma vez que se considera que a própria personalidade influencia a abordagem do estudo realizado e as conclusões obtidas.
- Etnocentrismo: Considera-se que o aspecto cultural que envolve o desenvolvimento do cientista que realiza a avaliação influencia fortemente seus critérios e percepções. A cultura determina até os temas que as pessoas são capazes de avaliar, pois em outros tempos os psicólogos não ousavam tocar abertamente em temas de cunho sexual ou religioso, devido ao grande tabu que cercava o contexto de seu estudo.
Com base nos estudos particulares de cada cientista, explica-se a seguir as teorias levantadas sobre o tema pelos principais expoentes da área.
perspectiva analítica
As teorias da personalidade baseadas nesta perspectiva giram em torno do desenvolvimento de ações inconscientes. Acredita-se que o ser humano desconhece os fatores que afetam sua personalidade. O autoconhecimento e o autoconceito são considerados limitados.
Personalidades arquetípicas de Jung: Este cientista acreditava que a personalidade se desenvolvia na idade adulta. Jung fez experiências com processos inconscientes, com base em estudos sobre sonhos e fantasias. Jung considerava o inconsciente uma ferramenta poderosa para desvendar os mistérios que cercam a psique.
Este cientista, cujos estudos não fazem parte da psicologia dominante, desenvolveu uma teoria baseada em arquétipos que são imagens estabelecidas em um sentido geral que representam a visão geral da sociedade sobre um evento, conceito ou princípio. Os principais arquétipos definidos por Jung são: a mãe, o pai, a sombra, a anima e o animus, o herói e o malandro.
Sigmund Freud: É o pai da psicanálise, acreditava que a fase de desenvolvimento da personalidade (diferentemente do que foi estabelecido por Jung) ocorria na infância, e criou uma teoria baseada em objetos, na qual a estrutura psíquica é concebida dividida em 3 partes:
Isto: É a parte da personalidade determinada por pulsões e desejos básicos (fome, sono, sede, sexo), e que não estabelece ações baseadas em julgamentos racionais. O id atua com base na satisfação imediata e não considera efeitos ou consequências. Por muitos é definido como a parte animal e instintiva do ser humano.
superego: É a parte consciente e moral do psiquismo humano, definida como a estrutura que questiona as ações, tomando como princípio as regras e demais parâmetros éticos, considerando se sua implementação é adequada.
Eu: Estrutura intermediária que põe em julgamento os dois extremos, o das regras, e o instintivo (de satisfação das necessidades básicas). A esta estrutura atribui o desenvolvimento de mecanismos de defesa a situações psicológicas complexas (negação, reação, identificação, racionamento), definindo a ansiedade como a resposta à incapacidade de adaptação à realidade.
Perspectiva psicanalítica e social: As teorias da personalidade deste ramo baseiam-se na combinação dos postulados da psicanálise, com o ambiente social que envolve o indivíduo:
Alfredo Adler: Sua teoria é conhecida como psicologia individual, pois o cientista focou sua atenção no fato de que cada pessoa é única, sustentando que cada pessoa deve ser compreendida desde uma perspectiva social e não biológica. Este cientista se baseia no fato de que o indivíduo se desenvolve sob um desejo evolutivo que o induz a superar seu complexo de inferioridade. Este autor introduziu os conceitos destes complexos (superioridade e inferioridade) como determinantes no desenvolvimento da psicose, podendo influenciar no desenvolvimento de estilos de vida errados (tipo governante, tipo realizador, tipo evasivo) ou de um estilo de vida saudável (tipo útil). .
Erik Erikson: Para o desenvolvimento de sua contribuição às teorias da personalidade, Realizou uma análise das perspectivas sociais das etapas de desenvolvimento definidas por Freud, ou seja, para cada etapa freudiana estabeleceu uma analogia a partir da perspectiva social.
A abordagem deste cientista aproximou-se da abordagem psicanalítica que considera as relações sociais e culturais em vez de focar apenas nos processos individuais da pessoa.
Karen Horney: Ela emitiu uma teoria que aborda a psicanálise de um ponto de vista interpessoal. Ele considerou que o comportamento era afetado por conflitos e as alterações comportamentais surgiam como resultado de problemas não resolvidos. Ele estabeleceu três tipos de ações neuróticas: ir em direção às pessoas, ir contra as pessoas ou afastar-se das pessoas.
Perspectiva da característica
Traços são variáveis que, em última análise, moldam as características de uma pessoa. Nesta corrente, os pesquisadores se concentraram em estudá-los:
Allport: Este cientista estabeleceu uma teoria que foi definida como baseada no “senso comum”, afirmando que desde a primeira infância há consistência no desenvolvimento da personalidade. Ele acreditava na influência de fatores biológicos e psicológicos na personalidade.
Cattell: Este cientista pensava que a personalidade era um fator que nos permitia prever como uma pessoa reagiria a circunstâncias específicas, onde os traços são as unidades às quais podemos atribuir valor preditivo. A contribuição mais importante que ele deu foi a sistematização da personalidade, e trabalhou no contraste desses traços em vários indivíduos.
Perspectiva cognitiva:
As teorias da personalidade desenvolvidas nesta corrente centram-se no fator cognitivo como determinante do processo, no qual o indivíduo é assumido como a entidade capaz de moldar as características que definirão o seu comportamento. Dentre as teorias levantadas nesta perspectiva, temos:
Kelly: Sua teoria é conhecida como “construções pessoais” e foi baseada no estudo dos pensamentos do indivíduo. Difere das abordagens cognitivas por focar no indivíduo, e não nas circunstâncias que o cercam, pois, para Kelly, a personalidade é resultado de processos internos.
Mischel e Bandura: Psicólogos conhecidos por sua abordagem cognitiva à aprendizagem social. Contribuindo com sua teoria, sustenta o fato de que o fator cognitivo constitui uma variável importante na definição da personalidade. São conhecidos por romper com as variáveis do estudo, definidas a partir de traços.